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5º CENÁRIO - PERTURBAÇÕES ALIMENTARES

 

:::: 1.ª AÇÃO: APROXIMAR-SE DA PESSOA, OBSERVAR E AJUDAR

  • Podes reparar que existem sinais de alerta em relação à Carolina. Por exemplo, ela fazer exercício físico em demasia e condenar-se quando não faz; têm comportamentos de dieta excessivos (deixar de comer, contar calorias, evitar comer em grupo…); mente sobre as refeições que fez, ou sobre a comida que ingeriu; mantém um peso corporal muito baixo para a sua idade e altura; tem uma visão irrealista do seu corpo (ter baixa autoestima e afirmar que está gorda, mesmo estando abaixo do peso ideal para si); fica ansiosa antes das refeições; isolamento e mudança na relação com os amigos; mostra ter má imagem de si mesma… Sendo amigo da Carolina, a primeira coisa que podes fazer é abordá-la para tentares perceber o que se passa e há quanto tempo ela se sente assim.
  • A abordagem que fazes junto da Carolina deve ser pensada e planeada. Não fales com ela sobre o assunto que te preocupa em qualquer lugar. Tenta escolher um local que seja confortável e familiar e onde possam conversar sem que haja risco de serem interrompidos ou escutados, de preferência longe de sítios onde possa haver comida ou perto das horas das refeições. A casa de um de vós pode ser um bom sítio. Outra alternativa é um jardim ou um lugar calmo.
  • Se te sentires nervoso ou inseguro enquanto estás a falar com a Carolina, não te preocupes, pois é normal. Apesar deste nervosismo, começa a conversa utilizando frases que possam ser entendidas como de preocupação, apoio, interesse e incentivo, como por exemplo:

          - Estou preocupado contigo e quero ajudar-te para que te sintas melhor;
          - Sabes que estou disponível para te ouvir, quando te sentires à vontade para falar;
          - Sou teu amigo e sabes que tens o meu apoio.

  • Não utilizes, em momento algum da conversa, frases que possam ser entendidas como uma acusação, julgamento, incentivos negativos ou de desvalorização do que ela possa sentir, tais como:

           - Tens de comer mais, estás muito magra!
           - Nem para comer prestas!
           - Estás com aspeto de doente!
           - Quem não é para comer, não é para trabalhar!

  • Lembra-te que, da mesma forma que tu podes reagir de várias maneiras a esta situação, a Carolina também pode manifestar diferentes reações com esta conversa. Ela pode ficar aliviada por admitir que alguma coisa se passa e que é um problema, pode ficar incomodada e zangada, ou então negar que exista um problema. É importante que mantenhas a calma, e nunca digas: «ok, não queres falar, o problema é teu».
  • Independentemente da reação da Carolina, a tua intervenção foi importante porque mostras-te a tua disponibilidade para a ajudares. O primeiro passo foi dado

 


:::: 2.ª AÇÃO: NÃO JULGAR E ESCUTAR COM ATENÇÃO

  • Escutares a Carolina é fundamental, porque este é o momento em que ela te vai contar o que se passa, como se sente e a razão de se comportar dessa forma. Apesar de poder ser difícil para ti, é importante que não a julgues ou formes quaisquer juízos de valor acerca daquilo que ela está a contar-te. O que estás a ouvir, mesmo que te pareça absurdo num primeiro momento, é essencial que ela sinta que pode confiar e contar contigo. Deves deixá-la falar e não fazer comentários do tipo: «estás a gozar, certo?». Se ela te perguntar o que pensas, nunca respondas sem refletires bem sobre o assunto, para teres a certeza que falas com ela com uma «mente aberta».
  • Enquanto estás a escutar a Carolina podes sentir-te assustado, triste ou frustrado com aquilo que estás a ouvir, no entanto não deves manifestar emoções negativas. Tenta manter a calma e continua a escutá-la com respeito e atenção.
  • Não te esqueças que este momento pode ser embaraçoso, pois o que a Carolina está a contar-te são os seus sentimentos e as suas vivências, o que é um sinal de confiança que não deves desvalorizar. Aquilo que ela quer, enquanto fala contigo, é que a escutes, que mostres compreensão acerca da sua situação e que faças com que ela sinta que tu percebes por aquilo que ela está a passar. É importante que te certifiques que estás a perceber tudo o que o ela te diz, mesmo que tenhas de lhe perguntar mais do que uma vez ou que tenhas de resumir todas as informações que ela te dá. Por exemplo, podes usar a frase: «aquilo que tu me estás a tentar dizer ou disseste é que…»
  • Para que a comunicação seja eficaz, deves ter em mente três princípios: aceitação, honestidade e empatia.
  • A aceitação significa que deves respeitar o que a Carolina está a passar, bem como valorizar os seus sentimentos e crenças, mesmo que sejam diferentes dos teus;
  • A honestidade quer dizer que deves ser verdadeiro no teu comportamento, não agindo de forma oposta, isto é, dizer que compreendes pelo que ela está a passar e depois afastares-te dela. Não te esqueças que ele confiou em ti;
  • A empatia significa que tu és capaz de imaginar o que ela está a passar e consegues colocar-te no lugar dela, ou seja, se ela te estivesse a ajudar, e tu estivesses a viver essa situação, saberias como te sentirias.
  • Lembra-te sempre que o comportamento da Carolina é causado pelo seu problema e não por vaidade ou teimosia. Não te esqueças, também, que nem sempre é fácil falar acerca de nós e do que sentimos. Tenta ser paciente, mesmo que ela tenha dificuldades em falar e nunca a interrompas quando ela o estiver a fazer.
  • Muitas vezes as nossas expressões faciais e corporais dizem mais que as palavras. Além de respeitar os silêncios da tua amiga, deves adotar uma postura amigável, sem fazer cara de admirado, de quem está a fazer um «frete» ou a «apanhar uma seca». Não cruzes os braços pois pode significar que estás na defensiva e tens medo dela. Se puderes, não estejas de frente para ela, mas sim a seu lado, para não a pressionares. Podes manter o contacto visual, de um modo que a ela se sinta confortável. Se ela estiver sentada, senta-te também. Se ela estiver de pé e achares melhor, senta-te para que ela perceba que não tens pressa.

 


:::: 3.ª AÇÃO: INFORMAR E APOIAR

  • Depois de escutares a Carolina torna-se mais fácil seres capaz de lhe prestar apoio e procurar informação útil. É muito importante que ela sinta que a tua preocupação é genuína e que a compreendes. Sê paciente e atencioso para que ela não sinta que a vais abandonar.
  • Não te esqueças que a Carolina se sente fragilizada e está vulnerável, por isso trata-a com respeito e dignidade, não receando ouvir as suas decisões, sentimentos e crenças, mesmo que ela, em alguns momentos, possa não ser simpática contigo.
    • Lembra-te que não sabes como reagirias se estivesses a passar por esta situação! Acima de tudo, não a culpes pelo seu estado, muito pelo contrário, diz-lhe que a culpa não é dela e demonstra-lhe o teu apoio para ultrapassar esta situação. É importante que não desvalorizes aquilo pelo qual ela está a passar e como se sente. Evita frases como:

                      - Tu estás magra porque não comes nada!
                      - Fazeres dieta não te traz alegria!
                      - Estás tão magra como um esqueleto!

    • Fá-la acreditar que há esperança que ela melhore e que venha a sentir-se melhor. Contudo, evita fazer promessas que não possas cumprir. Se prometeres estar com a Carolina nesta fase, está mesmo e cumpre, pois é uma forma de ajuda. Pensa sempre que ela tem um problema e que até a tarefa mais simples do dia a dia lhe pode ser muito difícil de realizar. Podes utilizar frases como:

                      - A seguir à tempestade vem sempre a bonança!
                      - Não há mal que sempre dure!
                      - Não há rosas sem espinhos!

  • Podes, também, oferecer-lhe a tua ajuda na realização de algumas tarefas em que ela necessite de auxílio. No entanto, tem cuidado, para não adotares uma atitude de superproteção (fazer todas as atividades dela, por exemplo trabalhos escolares), tratá-la como se ela fosse incapaz (dizer: “deixa estar que eu faço, tu não estás em condições”) ou então que apenas dependa de ti para executar estas tarefas (há momentos em que não podes ou não vais estar presente). Quando estiveres a falar com ela não utilizes um tom de voz que possa parecer que estás a falar para uma criança.
  • Existe informação disponível que podes procurar e fornecer sobre apoio a problemas de saúde mental, como é este caso. Procura informação correta e apropriada para a situação e idade da Carolina. Se sabes pouco sobre o assunto, assume e procura a informação com ela. Se souberes ou desconfiares que a ela anda a visitar sites ou blogs que promovem distúrbios alimentares (ex.: pro-ana ou pro-mia), fá-la perceber que isso é um erro e incentiva-a a deixar de o fazer. Se ela não tiver conhecimento destes sites, não os menciones.
  • Lembra-te que este é um problema que se pode prolongar por muito tempo. Não te sintas frustrado com ela. Tenta fazer com que ela se interesse por mais coisas para além do seu peso corporal e não fales com ela acerca de comida. Sê compreensivo, positivo e encorajador. Não desistas de a ajudar.

 

:::: 4.ª AÇÃO: PROCURAR AJUDA PROFISSIONAL ESPECIALIZADA
INCENTIVANDO A PESSOA A OBTÊ-LA

  • Se os problemas já se prolongam há algum tempo, por exemplo 2 ou 3 meses e a situação está a afetar o dia a dia da Carolina, é fundamental que a encorajes a procurar ajuda especializada ou então que a acompanhes nessa procura. Informa-a sobre as opções de ajuda disponíveis. Lembra-te que quanto mais cedo ela procurar ajuda, maior é a probabilidade de ela ultrapassar esta situação.
  • Devido à sua situação, a Carolina pode não querer ajuda. Neste caso, procura perceber as suas razões, pois ela pode ter vergonha, medo de perder o controlo sobre o seu peso ou pode acreditar que o seu problema pode trazer-lhe vantagens, como baixo peso e um aumento na sua autoestima. O teu apoio pode ser essencial para que ela consiga ultrapassar os seus medos. Se mesmo assim ela não quiser procurar ajuda profissional, lembra-lhe sempre que tem o teu apoio caso mude de ideias.
  • Se a Carolina admitir que precisa de ajuda, informa-te, por exemplo através deste Website, e discute com ela as várias opções de profissionais disponíveis. Se ela não souber onde pode procurar ajuda, incentiva-a e acompanha-a nessa busca, mesmo que demore algum tempo. É fundamental que não desistam!
  • É de considerar a possibilidade de contares a situação aos pais da Carolina. Contudo deves centra-te na procura de ajuda sem revelares pormenores desnecessários. Tal não implica que estejas a trair a sua confiança, pois procuras a melhor forma de a ajudar. Sê compreensivo, positivo e encorajador. Não desistas de a ajudar!

 


:::: 5.ª AÇÃO: INCENTIVAR O RECURSO A OUTROS APOIOS

  • Encoraja a Carolina a procurar outros apoios, tais como a família e os amigos. Se for necessário contacta também organizações que te disponibilizem informação e prestem apoio a pessoas que estão a passar pela mesma situação dela. Esclarece as tuas dúvidas. A recuperação da Carolina pode ser mais rápida e eficaz se ela se sentir apoiada e confortável no ambiente que a rodeia.
  • Incentiva-a a utilizar estratégias de autoajuda, no entanto, não te esqueças que o interesse dela pode depender da fase da perturbação e da intensidade dos seus sintomas. Quem avalia esse estado é o profissional de saúde adequado, por exemplo, se acompanhares a Carolina a uma consulta médica no centro de saúde, ela depois poderá ser encaminhada para os profissionais mais adequados para o tratamento do seu problema.

A leitura deste Website não substitui a necessidade de uma formação mais específica.

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